O Amor eterno que não muda
“Os montes podem mudar de lugar e as colinas podem cair, mas o meu Amor por ti não mudará e a minha aliança de paz não será abalada” (Is 54,10).
Com essas palavras, o Senhor revela ao coração humano uma promessa que atravessa os séculos: o Seu Amor eterno. Diferente de tudo o que conhecemos, esse Amor não depende de circunstâncias, não se desgasta com o tempo, não se contradiz diante dos nossos erros. O Amor eterno de Deus é imutável, inabalável e fiel. Ele não pode ser medido com a régua do tempo humano, porque ultrapassa aquilo que entendemos como começo, meio e fim.
Quando ouvimos falar de Amor, geralmente o associamos às nossas experiências: amizades que surgem e se desfazem, amores que começam com entusiasmo, mas, por vezes, perdem o vigor. Todos os laços humanos carregam a marca da fragilidade. Mas Deus nos fala de algo completamente diferente. Ele nos assegura que, ainda que montanhas desabem e que tudo aquilo que consideramos sólido desapareça, o Seu Amor permanecerá. Essa é a jura fundamental: o Amor eterno de Deus é a única realidade que não se abala.
O limite humano diante da eternidade
Nós, seres humanos, vivemos presos ao tempo. Desde o nascimento até a morte, tudo em nós está marcado por inícios e términos. Medimos nossa vida em dias, anos, estações e fases. Planejamos o futuro, lembramos do passado e, quase sempre, lutamos para segurar o presente, que escorre entre os dedos.
Por isso, quando ouvimos a expressão “eternidade”, nosso coração se perde. Não sabemos conceber plenamente o que significa algo que não tem começo nem fim. É mais fácil imaginar o fim do mundo do que imaginar algo que nunca terá fim. E, ainda assim, é exatamente isso que Deus nos promete: um Amor que nos envolve desde sempre e para sempre.
São Paulo nos lembra que esse Amor foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5). Isso significa que, ainda que nossa mente não compreenda a eternidade, nosso coração já é habitado por ela. O Amor eterno de Deus toca nossa limitação e abre, dentro de nós, uma janela para o infinito.
O Amor eterno desde sempre e para sempre
O profeta Jeremias nos recorda: “Com Amor eterno eu te amei, por isso conservei para ti a minha bondade” (Jr 31,3). Esse versículo nos desconcerta. Antes mesmo que eu pudesse pronunciar o nome de Deus, Ele já me amava. Antes que eu pudesse desejar conhecê-l’O, Ele já me chamava pelo nome.
O Amor eterno de Deus é anterior à minha existência e se estende para além do meu tempo de vida. Esse Amor é como um fio invisível que me sustenta: antes do meu primeiro suspiro, Deus já me guardava; depois do meu último suspiro, Ele ainda me guardará. É uma realidade que ultrapassa o tempo linear e me insere no coração de um Deus que não conhece limites.
Essa verdade transforma nossa maneira de olhar para a vida. Quando tudo parece instável, quando as relações humanas se rompem, quando as circunstâncias mudam, a Palavra me recorda que existe algo que não passa: o Amor eterno. Ele é a rocha firme sobre a qual posso repousar, porque não depende da minha fidelidade, mas da fidelidade de Deus.
E aqui nos conectamos com o que a Igreja está vivendo de modo especial no Ano Jubilar de 2025, sob o lema proclamado pelo Papa Francisco: “A esperança não engana” (Rm 5,5). Essa esperança é segura justamente porque se firma no Amor poderoso de Deus, que nos envolve antes mesmo que possamos buscá-lo.
O Amor eterno encarnado em Cristo
A promessa de Deus não ficou restrita aos profetas. Ela se cumpriu plenamente em Cristo. São Paulo escreve: “Mas Deus prova o seu Amor por nós pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,8). O Amor eterno, que parecia distante e abstrato, se fez carne e sangue.
Na cruz, contemplamos a prova definitiva das juras de amor de Deus. Ele não apenas disse que nos amava: Ele se entregou por nós. O eterno entrou no tempo, o infinito assumiu nossa finitude, o Amor eterno se fez mortal para que o mortal fosse revestido da eternidade. Por isso, a cruz não é apenas um evento passado, mas a revelação viva de que o Amor eterno nos acompanha hoje e nos acompanhará sempre.
Quando Jesus proclama: “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor” (Jo 15,9), Ele abre diante de nós a possibilidade de viver já, neste tempo, a experiência do eterno. Permanecer no Amor é fazer da nossa vida um reflexo da jura divina que não falha.
Confiar no Amor que não passa
Se tudo na vida é passageiro, o Amor eterno de Deus é a âncora segura da nossa alma. A Carta aos Hebreus afirma: “Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura” (Hb 6,19). Essa esperança não se apoia em nossos sentimentos, mas no Amor invencível de Deus.
O Amor eterno nos dá coragem diante das incertezas. Ele nos recorda que, por mais que montanhas se movam e mares se agitem, existe uma fidelidade que permanece. Por isso, a verdadeira confiança nasce da certeza de que somos amados com um Amor que não depende de méritos, nem se apaga diante dos fracassos.
Na vida espiritual, isso significa que podemos nos levantar quantas vezes forem necessárias, porque o Amor eterno não desiste de nós. Ele é como uma fonte inesgotável que nos renova sempre. Cada queda encontra a mão de Deus estendida. Cada fraqueza é acolhida pelo Seu coração misericordioso.
Viver do Amor eterno
Reconhecer as juras de amor de Deus por mim é mais do que aceitar uma verdade de fé. É deixar-se conduzir pela esperança que nasce desse Amor. Viver no tempo com o coração já tocado pela eternidade. Olhar para as incertezas da vida e encontrar segurança na promessa divina.
O Salmo 136 repete como um refrão inquebrantável: “Porque o seu Amor é eterno”. Cada linha desse salmo é uma memória do agir de Deus, acompanhada pela certeza de que nada pode abalar esse Amor. É como se a Bíblia inteira ecoasse a mesma verdade: o Amor eterno é a maior jura de Deus ao coração humano.
Por isso, viver desse Amor significa ordenar toda a nossa vida em direção a Ele. Os bens passageiros se tornam relativos, as dores encontram sentido e as alegrias se transformam em louvor. O Amor eterno é o tesouro que dá valor a tudo o mais.
Amados para sempre
No fim, resta-nos apenas uma certeza: somos amados. Amados desde sempre e para sempre. Antes de nascer e amados depois da morte. Amados não por aquilo que fazemos, mas por quem somos: filhos queridos de um Pai que não volta atrás em Suas promessas.
As juras de amor de Deus por mim são a maior segurança da minha vida. Tudo pode ruir, tudo pode mudar, mas esse Amor permanece. Ele é a herança que não se perde, a promessa que não falha, a esperança que não engana.
Vivê-lo é deixar-se conduzir ao coração do Pai e permitir que cada instante, mesmo marcado pelo tempo, seja já um reflexo da eternidade. E assim, com toda a Igreja, caminhamos neste Ano Jubilar de 2025 com os olhos fixos na única verdade que sustenta tudo: o Amor eterno e Poderoso de Deus, que nos espera e jamais nos abandona.
Fonte :
Bruno Chimenes
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator
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