Quais os momentos certos para ficar de pé, sentado ou de joelho? Saiba o significado de cada gesto na Missa
Quando eu era criança se falava muito em “assistir” a Missa. Os padres falavam que a Missa não era programa de TV para assistir, mas que deveríamos participar. Em alguns países se falava em ouvir a Missa, como se fosse programa de rádio.
De fato, ir à igreja para a Missa não é questão de assistir ou escutar, mas de participar. Os fiéis não são indiferentes às palavras, cantos e gestos. Na pandemia, quando não era possível ir à igreja e tinha assistir, literalmente, a Missa na TV ou ouvi-la no rádio, sentia a necessidade de fazer “a minha parte”. Os gestos, ficar de pé ou sentado, as respostas, os cantos, enfim, participava, interagia.
A participação na Missa vai além das palavras, sendo regida por uma verdadeira "coreografia" de gestos e atitudes que, longe de serem meras formalidades, buscam a unidade e a profundidade da experiência litúrgica. O “manual” para esta "dança sagrada" é a inestimável Instrução Geral do Missal Romano (IGMR).
A IGMR deixa claro que os gestos e as atitudes corporais de todos — ministros e fiéis — possuem como objetivos centrais: Garantir que toda a celebração seja bela e simples; Facilitar a compreensão das suas diversas partes; Promover a participação plena de todos.
Força da unidade na Missa
A chave para alcançar estes objetivos reside em olhar para além da inclinação pessoal. Conforme a IGMR (n. 42), a atitude comum do corpo é um poderoso sinal de unidade dos membros da comunidade. É um ato que "exprime e favorece os sentimentos e a atitude interior" de todos os presentes. Por isso, a uniformidade nos gestos, guiada pelas leis litúrgicas e pela tradição do Rito Romano, é vista como um bem comum espiritual.
De pé, sentado ou de joelhos: O ritmo da celebração
A Instrução Geral concretiza as posições, estabelecendo um ritmo corporal que acompanha o desenvolvimento da Missa (n. 43):
De pé: Posição de respeito, prontidão, ressurreição e oração.
Desde o início (cântico de entrada) até ao fim da Oração Coleta; Cântico do Aleluia e Proclamação do Evangelho; Profissão de Fé e Oração Universal; Do convite "Orai, irmãos" até ao fim da Missa (com exceções)
Sentado: Posição de escuta e meditação atenta.
Durante as Leituras (exceto o Evangelho) e o Salmo Responsorial; Homilia; Preparação dos Dons (Ofertório); Silêncio sagrado após a Comunhão.
De joelhos: Postura de adoração profunda.
Durante a Consagração (a Epiclese e a narrativa da instituição, o momento mais solene da Eucaristia).
Exceções e adaptações
A regra para ajoelhar-se durante a Consagração pode ser flexibilizada por motivos razoáveis, como saúde, aperto do lugar ou grande número de pessoas. Nestes casos, a IGMR indica que se faça uma inclinação profunda enquanto o sacerdote genuflete após a consagração do pão e do vinho.
Além disso, as Conferências Episcopais têm a prerrogativa de adaptar estas atitudes às tradições locais, desde que estejam em sintonia com o sentido e o caráter de cada parte da celebração. Onde for costume, por exemplo, o povo pode manter-se de joelhos desde o fim do Sanctus até ao fim da Oração Eucarística.
Em suma, a Missa é uma obra de arte que envolve corpo, alma e comunidade. As posições e gestos são a linguagem silenciosa da fé, essenciais para uma celebração que busca ser, acima de tudo, nobre, simples e profundamente participativa.
Fonte : https://pt.aleteia.org/
Comentários
Postar um comentário
Deixe seu comentário
Siga @cartasdeovero no Instagram e facebook também !