O sonho do ser humano em conquistar o espaço

 Mesmo já tendo passado mais de cinco décadas depois da histórica missão Apollo 11, em que o ser humano pisou pela primeira vez na lua em julho de 1969, um terço dos brasileiros ainda não acredita que isso tenha ocorrido, achando que tudo não passou de encenação realizada em algum deserto da terra. É o que revelou uma pesquisa feita pelo Datafolha, divulgada no dia 30 de março, quase na véspera da partida da nova missão lunar, segundo a qual 33% da população com mais de 16 anos afirmava ser mentira que humanos já tenham viajado ao redor do satélite natural da Terra e nele pousado.


O levantamento também mostrou que, para essa parcela dos entrevistados, a missão Artemis 2, que partiu no dia 01 de abril, ficando 10 dias no espaço, é vista como a primeira jornada humana nas proximidades da lua, apesar desse feito já ter ocorrido diversas vezes entre as décadas de 1960 e 1970O lançamento da missão Artemis 2, levando quatro astronautas, revestiu-se de sucesso, marcando o retorno da humanidade à órbita da lua e, inclusive, viajando pelo seu lado escuro que não é visto da Terra. A decolagem feita a partir do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida, contou com transmissão ao vivo e milhões de pessoas puderam acompanhar pela TV e redes sociais.

O objetivo da missão não era o de tirar fotos bonitas e nem tinha a missão romântica de ver o clarão do luar, mas do ponto de vista científico, o objetivo da volta à lua é o de começar a preparar a criação de uma base espacial a partir da qual ficará mais fácil enviar astronautas a Marte na próxima década. Existem, porém, objetivos econômicos mais ambiciosos, devido à constatação da presença de minerais raros no satélite terrestre, com o desenvolvimento de tecnologia para minerá-los, que poderão pagar o custo das viagens e da ocupação da lua.

Um dos exemplos é o Hélio 3, um isótopo raro na Terra, mas abundante na lua, visto como o combustível do futuro devido ao seu alto potencial para utilização em reatores de fusão nuclear limpa, segura e praticamente ilimitada que poderá ser, inclusive, usado para impulsionar as naves que se destinarão a longas viagens de exploração de planetas e de outros corpos celestes.

Corrida espacial

Como a Lua não pertence a nenhum país, quem conseguir chegar lá primeiro, certamente terá a primazia em sua exploração, como no passado aconteceu em relação aos continentes periféricos do mundo. Não por acaso, a China também já entrou na corrida espacial, prometendo levar um taikonauta ao satélite até 2030Nas décadas de 1960 a 1970, a corrida espacial tinha como oponentes os Estados Unidos e a antiga União Soviética. Agora, certamente a China, como já acontece em outros setores, será a “pedra no sapato” dos Estados Unidos.

Como a lua deve virar a nova fronteira de disputa pelos recursos naturais cobiçados, mais do que levar o ser humano de volta ao satélite natural, as missões Artemis buscam garantir a superioridade dos EUA na exploração espacial, em parceria com outras nações. Como aconteceu em diversos projetos anteriores, como a Estação Espacial e lançamento de alguns satélites, essa nova missão é feita com o contributo de diversas nações.

Entre 1969 e 1972, a Nasa levou 12 astronautas à lua como parte do Programa Apollo. Segundo estimativas mais realistas, a agência espacial teria gastado cerca de US$ 20 bilhões com o programa, cifra que, em valores atuais, ficaria entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões. O alto valor do programa, aliás, foi um dos motivos que levaram ao seu encerramento e agora os norte-americanos querem dividir o seu alto custo.

Diferentemente do que aconteceu nos anos 60/70, o projeto agora visa estabelecer uma presença constante e sustentável na Lua, com geração de energia e construção de infraestrutura necessária para habitação e trabalho.

A tecnologia necessária para a permanência sustentável de seres humanos na lua já existe, mas precisa ser melhor desenvolvida, por ser essencial para a sobrevivência dos astronautas nas longas estadias na lua e nas jornadas até Marte e outros planetas.

Em nome dos Estados Unidos, a Nasa também projeta outras missões científicas e por isso planeja uma maior integração com parceiros comerciais privados e com “nações amigas”, facilitando a crescente economia espacial e dividindo os seus custos.

Vendo a terra de longe

A imagem do planeta Terra “nascendo” atrás da Lua, feita em dezembro de 1968, durante o projeto Apollo 8, ficou para sempre como lembrete da necessidade de cuidarmos melhor de nossa “Casa Comum”. Quando os astronautas veem a Terra de longe, percebem como é um planeta especial, mas ao mesmo tempo frágil, precisando do cuidado de todos.

missão da Apollo 8 tinha sido pensada para viajar quase 400 mil km, entrar na órbita lunar e voltar para casa com um motor de propulsão de superfície, como agora a missão Artemis voltou a fazer. Na ocasião, há mais de 50 anos, foi um feito inédito. Depois de completada a missão, Frank Borman, comandante da missão, afirmou: “Acho que nenhum de nós se deu conta de que estávamos indo até a Lua e ficaríamos mais intrigados em olhar para a Terra.” E completou: “A Terra era a única coisa de todo o universo que tinha alguma cor.” 

Fonte Portal A12

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