Padre Robson Gavioli de Mattos, de 36 anos, morreu no último dia 6 de junho, na Ucrânia, onde atuava como missionário junto a populações afetadas pela guerra. A notícia causou profunda comoção entre familiares, amigos e fiéis. O corpo será transladado para o Brasil nos próximos dias e sepultado em Urânia, município próximo a Fernandópolis e terra natal de sua família.
Reconhecido pela alegria, simplicidade e dedicação à evangelização, padre Robson deixa um legado marcado pelo serviço à Igreja e pelo cuidado com os mais necessitados. Durante sua atuação missionária na Ucrânia, prestou assistência espiritual a refugiados, celebrou missas e participou de diversas ações de acolhimento e solidariedade em meio ao cenário de conflito.
Segundo o padre Valdinei Lobo de Almeida, da Paróquia Santuário das Almas, onde padre Robson celebrava missas sempre que retornava ao Brasil, a notícia do falecimento foi recebida com profunda tristeza pela comunidade que acompanhava sua caminhada missionária.
“Padre Robson era uma pessoa muito querida, sempre alegre, próxima das pessoas e profundamente comprometida com a missão. Sua partida repentina nos surpreende e deixa um vazio muito grande entre todos que conviveram com ele”, afirmou o sacerdote.
Os pais do sacerdote, que também são missionários, estão em Brasília e devem chegar à região nesta segunda-feira (9). De acordo com padre Valdinei, hoje está sendo celebrada a missa de corpo presente na Ucrânia. Após os procedimentos necessários, o caixão será lacrado e encaminhado ao Brasil.
“O pai e a mãe dele também são missionários. Eles estão em Brasília e devem chegar amanhã. O corpo será transladado para o Brasil, passará por São José do Rio Preto e seguirá para Urânia, onde acontecerá o sepultamento”, explicou o sacerdote.
A previsão é que o translado seja concluído entre sexta-feira e sábado. Padre Valdinei destacou que Urânia foi escolhida para o enterro por ser a cidade de origem da família.
“Urânia é a terra da família, onde estão suas raízes. Por isso foi escolhido que ele fosse sepultado lá”, disse.
Enquanto aguardam a chegada do corpo, familiares, amigos e membros da comunidade católica se unem em oração e agradecimento pela vida e missão do sacerdote, que dedicou seus últimos anos ao anúncio do Evangelho e ao amparo das vítimas da guerra na Ucrânia.
Da formação no Brasil à missão na Ucrânia, padre Robson deixou um legado de fé, serviço e acolhimento
Padre Robson manteve uma forte ligação com o Santuário das Almas, em São José do Rio Preto, onde atuou como secretário antes de abraçar a vocação missionária. Integrante do Caminho Neocatecumenal, passou por Brasília durante sua formação e, posteriormente, foi enviado para a Ucrânia.
Com alegria e entusiasmo, acolheu a missão de estudar e se preparar para o sacerdócio na Diocese de Vinnytsia. Foi no país europeu que concluiu sua formação, recebeu a ordenação sacerdotal, em 2021, e iniciou seu trabalho pastoral junto às comunidades locais.
De acordo com o padre Valdinei, com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, padre Robson teve a oportunidade de retornar ao Brasil, mas optou por permanecer na missão. Segundo pessoas próximas, acreditava que aquele era o lugar para o qual Deus o havia enviado e decidiu continuar servindo a população, mesmo diante dos riscos impostos pelo conflito.
A paróquia onde atuava tornou-se um importante ponto de acolhimento para refugiados que buscavam segurança na Polônia e em outros países da Europa. No local, ajudava a organizar a recepção das famílias, oferecendo apoio espiritual, alimentação e abrigo temporário.
Também era conhecido pelo carinho com as crianças. Em meio ao cenário de dor e incertezas provocado pela guerra, procurava levar esperança por meio de músicas, brincadeiras e gestos de acolhida, marcando a vida de muitas pessoas que encontraram na comunidade paroquial um refúgio em tempos difíceis.
Responsável pelos trâmites do traslado do corpo, o padre Lucas Perozzi, que atua em Kiev, destacou que padre Robson era uma pessoa muito querida entre os fiéis, sacerdotes e missionários. Segundo ele, o sacerdote brasileiro construiu laços profundos com a comunidade local e será lembrado pelo testemunho de fé, pela dedicação à missão e pela capacidade de acolher e servir, especialmente nos momentos mais difíceis vividos pela população durante a guerra.
Fonte : https://jornaldhoje.com.br/
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