Papa sobre o combate aos vícios: a Igreja deve ser a família de todas as pessoas

 "Nossa contribuição", afirma Leão XIV a participantes de encontro internacional sobre enfrentamento à problemática dos vícios, "deve ser direcionada ao cuidado, à presença e à reconstrução do tecido comunitário", sem ficar indiferentes diante de famílias desestruturadas. Esse fenômeno complexo "revela o fracasso de um mundo desumanizado": que "a Igreja seja a família de todas as pessoas que ficaram à margem do caminho", pois "não há melhor prevenção contra as drogas do que boa família".



A audiência com o Papa Leão XIV nesta quinta-feira (27/08) marcou o encerramento de três dias de um encontro internacional em Roma direcionado ao enfrentamento do fenômento das drogas e do recrutamento criminal de jovens. Desde terça-feira (25/08), o evento organizado pela Comissão Pontifícia para a América Latina (CAL), Pastoral Latino-Americana de Acompanhamento e Prevenção das Adições (PLAPA) do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho), além Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (CICAD) da OEA (Organização dos Estados Americanos), reúne representantes de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Denise Ferreira, coordenadora nacional da Pastoral da Sobriedade, enalteceu que o diálogo e o convívio familiar são ferramentas seguras de prevenção, e não só: "onde a Igreja consegue chegar, a prevenção também consegue chegar", afirmou ela sobre a relevância de integrar os esforços das organizações religiosas que conseguem alcançar nas periferias e comunidades vulneráveis.

O trabalho realizado de forma integral através de "centros de acompanhamento, prevenção, recuperação e integração para jovens, baseados na fé, que vêm da Ásia, África, Europa e América" ganhou reconhecimento do Pontífice que, em discurso, lembrou que "o sofrimento e a esperança não têm fronteiras", sobretudo dos jovens. Os vícios, continuou o Papa, "são um fenômeno complexo que revela o fracasso de um mundo desumanizado". A resposta ao problema das drogas precisa ver através da "prevenção comunitária, atenção científica, justiça com rosto humano e acompanhamento pastoral próximo. Nossa contribuição deve ser direcionada ao cuidado, à presença e à reconstrução do tecido comunitário", explicou o Papa.

As 4 pontes de colaboração da Igreja


Leão XIV, com satisfação, disse ter conhecimento de "quatro pontes" que também estão colaborando na questão das dependências na América Latina: a primeira é entre a Igreja e os organismos internacionais, "já que ninguém pode enfrentar sozinho o problema das drogas". A segunda ponte é entre a ciência e a fé, com a compreensão integral da pessoa humana através da Igreja, sem "a pretensão de competir ou ocupar o lugar das neurociências, da psiquiatria ou da saúde pública". A terceira ponte está dentro da Igreja "que peregrina nos diversos continentes", a exemplo do encontro internacional que se realiza em Roma e dá espaço à partilha de "dores, esperanças e entusiasmos pastorais". Já a quarta ponte é ecumênica, quando a Igreja Católica encontra "uma linguagem comum a partir da fé" para acompanhar a necessidade dos jovens.

A Igreja é a família de quem precisa


Em seguida, no discurso pronunciado em espanhol, o Papa procurou explanar sobre outra instituição importante no enfrentamento à problemática dos vícios: a família, a "Igreja doméstica", como descreveu o Concílio Vaticano II, "lugar onde se cultiva a vida, onde é cuidada e planejada. Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família", reforçou o Pontífice, ao citar inclusive seus predecessores: João Paulo II pediu para fazer da Igreja "a casa e a escola da comunhão" e, Papa Francisco, a exemplo de Jesus, que toquemos a miséria humana, "a carne sofredora dos outros".

Essa é a missão da Igreja, acrescentou Leão XIV, que "seja uma família, incluindo especialmente as pessoas que sofrem", ajudando a dar uma resposta à dor vivida dentro de muitos lares, "seja pelo uso de drogas, pela violência, pelo recrutamento de um filho para o crime, pela pobreza ou pela falta de oportunidades que as empurram para à margem da sociedade":

“Gostaria de expressar um desejo a vocês: que a Igreja seja a família de todas as pessoas que ficaram à margem do caminho. Assim como o samaritano que se fez próximo do homem caído; não passemos indiferentes. Vamos construir uma Igreja que se detém, se aproxima, se comove, unge as feridas, alimenta e se torna um lar.”

Fonte Vatican News 

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