Vocação e Missão – Razão de ser da Igreja

 Todos nós somos chamados a uma missão e, de algum modo, a realizar algo em nossas vidas. Mesmo em tempos de desânimo e falta de entusiasmo, Deus nos chama para continuar firme na aventura de procurar novos caminhos e de saciar a nossa sede da água viva que Jesus nos fala. “É o Senhor que nos indica para que margens devemos ir”. À luz do Espírito Santo, vamos caminhando e descobrindo que direção tomar. Um dos primeiros passos para encontrar o caminho é se esforçar para ouvir a própria voz interior e se aproximar de Deus.


Chamados pela nossa vocação batismal, temos de abrir novas estradas. Conscientizar-nos do nosso compromisso com o mundo, com a Igreja e com a nossa comunidade. Para além da vocação batismal, o catequista é aquele que nasce do seio da comunidade, recebeu o dom da fé e faz dela dom aos outros, ajudando as pessoas (seus catequizandos) a crescerem na maturidade da fé. Seu papel fundamental é anunciar o Reino de amor.

É por meio do amor de Deus que o catequista se expressa como pedagogo e mistagogo. Ele cuida da educação da fé e ajuda as pessoas a adentrar-se no mistério dessa mesma fé. Ele é uma pessoa que prima pela convivência fraterna. Não se pode viver sem sonhos, sem amor, sem doação plena. E tudo isso é fruto do amor que nos habita, fruto da graça divina.

Ao encontrar as respostas que brotam de dentro de nós mesmos é mais fácil perceber o chamado de Deus e então, com coerência, responder afirmativamente. A busca interior e vivência da espiritualidade se apresenta como caminhos que podem ser interpretados de maneira mais clara para ir realizando o projeto de vida.

Grandes são os desafios. Somos despertados para sermos fontes de esperanças, uns para com os outros. O ser humano tem a liberdade de responder ou não a esse chamado de Deus. O chamado é para deixar-se amar. Um amor incondicional que não nos exige nada a não ser amar simplesmente. Um amor que nos impulsiona para ir além. Ir encontrar o outro e com ele caminhar.

Jesus é o modelo de catequista que nos confere uma identidade e nos molda o coração à sua semelhança. Olhando para Jesus, para o seu jeito de ser e fazer não conseguimos ficar parados, pois o seu agir nos encanta e nos transmite princípios e valores capazes de nos provocar para o exercício do nosso ministério, impulsionando-nos para exercer bem a nossa missão e nela encontrar nossa realização e alegria.

Como a experiência do Etíope Eunuco (At 8), pela qual ele passou quando do seu encontro com Felipe, também acontece conosco quando respondemos ao chamado do Cristo e com Ele configuramos, assumindo a centralidade do mandamento do Amor. O Espírito Santo está sempre conosco e nos impulsiona a falar aos outros do seu amor, da sua vida, dos seus ensinamentos. Se vivermos o amor do Cristo junto aos nossos irmãos de fé, todos nos reconhecerão como discípulos dele (cf. Jo 13, 34-35). Essa é a alegria do evangelho que nos mantém firmes em nossos propósitos de fazer missão. O amor é para Jesus o parâmetro relacional e o princípio pedagógico fundamental.

Viver a vocação é dom de Deus

Viver a vocação é responder a esse chamado de Deus. Vocação é dom. Cada pessoa recebe seu chamado específico. Um chamado que lhe confere uma identidade pessoal. Daí a busca pela descoberta de sua vocação que é realizar sua missão a partir da vontade do Pai.

Cada pessoa tem em si dimensões que vão sendo aprimoradas no decorrer do tempo e da vivência do chamado. Elas ajudam o cristão no desenvolvimento de sua missão e vocação.

Na sua dimensão humana ela é o dom da existência e da vida dado por Deus. Traz em si uma missão de evolução constante em direção a sermos pessoas melhores e construirmos uma sociedade mais justa e fraterna; Nós não podemos esquecer de que somos criados à imagem e semelhança de Deus, chamados a viver o amor.

E, em segundo, enquanto cristãos batizados somos convocados a viver nosso compromisso batismal se colocando no seguimento de Jesus. Evangelizar levando a Boa Nova a toda a humanidade para renová-la e transformá-la no seu processo de conversão.

A nossa fé é também eclesial e é vivida em meio à comunidade, lugar de onde brota verdadeiras vocações e lugar onde somos chamados a realizar nossa própria missão.

Na caminhada precisamos estar atentos para “Escutar, discernir e viver a Palavra de Deus”, pois nossa vida e a nossa presença no mundo são frutos duma vocação divina”. É o Espírito Santo o protagonista dessa nossa ação.

Ser catequista é colocar sua vocação em missão para levar aos outros o anúncio da Palavra de Deus. Dar a conhecer um Deus que ama sem reservas, com um amor profundo semelhante ao de Jesus, seu Filho.

Neuza Silveira de Souza. Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

Fonte https://arquidiocesebh.org.br/

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