Uma reflexão clara e aberta sobre os tempos atuais da Igreja Católica no Brasil e no mundo. É um texto de coração aberto do autor que vale a leitura para uma reflexão que comunidade e evangelizadores que queremos ser e deixar para o nosso futuro.
Nas décadas de 1980 e 1990 era muito comum quando um padre chegava numa nova paróquia e encontrava uma condição pastoral de DESÂNIMO dos fiéis, logo o padre corria para contratar uma missão redentorista em Aparecida para colocar fogo na paróquia e agradar o bispo.
Então, a paróquia era inundada de missionários de FORA que acabavam levando nos melhores seminaristas e freiras, deixando a diocese cada vez mais POBRE e DEPENDENTE de VOCAÇÕES.
Aquele movimento todo, fazia muito barulho, mas não gerava FRUTOS para a comunidade nem para diocese. Quando os missionários ia embora, tudo voltava a ser como antes.
Na minha diocese, sempre foi usado este recurso até que ela compreendeu que devia CRESCER caminhando com as próprias pernas.
O investimento em FORMAÇÃO e em LIDERANÇAS LEIGAS deram muitos frutos e os resultados começaram a aparecer.
Me lembro que no final da década de 1990, fiquei acordado até tarde para assistir um Globo Repórter especial, que mostrou o TRABALHO realizado pela PASTORAL CARCERÁRIA da minha Diocese, na cidade de Varginha, que se tornou MODELO para todo Brasil.
O TRABALHO ERA NOSSO, criado a partir da nossa REALIDADE, das nossas NECESSIDADES e como expressão da nossa FÉ. Éramos PROTAGONISTAS da evangelização. Nas paróquias havia DIVERSIDADES de pastorais e movimentos. Cabia todo mundo. Era uma Igreja que produzia frutos e despertava vocações. Passamos a ter SACERDOTES de sobra.
Porém, de uns tempos para cá, parece que NÃO APRENDEMOS COM OS ERROS DO PASSADO e voltamos a ser seduzidos por aquilo que é de FORA.
Sorrateiramente, as pastorais sociais e a diversidade de pastorais foram TROCADAS por GRUPOS ORAÇÃO da RCC e por um modelo uniforme, chato e enquadrado de igreja.
Passou-se a dar mais importância a EUFORIAS momentâneas do que ao TRABALHO.
A diocese está lotada de pregadores que pregam chorando, com voz melosa IMITANDO os modelos da CANÇÃO NOVA.
Os NOVOS SACERDOTES, já entram no seminário querendo ser ARTISTA, ter FAMA. O MODELO dos seminaristas, são os padres FAMOSOS.
A diocese está cheia de NOVOS padres que se preocupam mais em fazer voz de locutor de rádio durante a homilia do que com o CONTEÚDO. Padres, que vivem de sombrancelha feitas, vestes esplendorosas, voltados para a GRANDEZA.
Padres que ficam EMBURRADOS e INSUPORTÁVEIS e até entram em CRISE, quando são transferidos para uma paróquia PEQUENA e que tem que sujar seus pés santos na poeira e barro das ZONAS RURAIS e conviver com gente simples e pobre. Não querem ser padres de aldeia.
Tínhamos grandes lideranças leigas, grandes profetas, que TRABALHAVAM incansavelmente pelo Evangelho, mas foram CLERICALIZADOS e até transformados em DIÁCONOS PERMANENTES e depois AMORDAÇADOS. Hoje, vivem de túnicas e cabeça baixa, boca fechada fazendo trabalho que os padres não querem fazer e com medo de perder o CARGO.
As liturgias foram perdendo nossa IDENTIDADE popular e substituída por um SILÊNCIO DESANIMADOR, APÁTICO e SEM VIDA.
Agora, é normal ver igrejas vazias de pessoas, mas com CAIXA ainda cheio de DINHEIRO.
Os JOVENS são CONVERTIDOS aos grupos de oração, mas não duram mais que cinco anos de euforia doentia. Os que não se enquadram neste ÚNICO modelo de igreja, são deixados de lado ou até demonizados.
LIDERANÇAS CLERICALIZADAS, se revoltam quando um novo padre lhes retira do CARGO de coordenação e não voltam mais na Missa.
As festas ou quermesses das paróquias se tornam um ringue de DISPUTA para ver qual pastoral ARRECADA mais dinheiro para o PADRE.
O "JESUIS" pregado agora, é um gênio da lâmpada que concede milagres APENAS para quem PAGA o DÍZIMO e comunga de joelhos e com véu na cabeça.
Já vi um jovem adolescente aterrorizado, dizendo que iria para o inferno porque tinha olhado para CANELA de uma moça na rua. Canela? Recomendei-lhe um psiquiatra!
Estamos criando a PIOR GERAÇÃO DE CRISTÃO de todos os tempos.
Aprendi com um padre, que o Brasil é o único país onde a Igreja nunca enfrentou nenhuma perseguição da fé e por isso, tinha um catolicismo tão INFANTILIZADO e DOENTIO. Aquele padre, defendia que era necessário que o Brasil passasse por uma grande PERSEGUIÇÃO da fé, o que levaria a MAIORIA dos padres e fiéis a ABANDONAR a Igreja, mas traria CRESCIMENTO e VALORIZAÇÃO. Começo a concordar com ele.
A maioria dos SUPER Católicos criados por esta NOVA EVANGELIZAÇÃO midiática, tem MEDO e VERGONHA de demonstrar a fé do lado de FORA da Igreja.
Pior ainda, um catolicismo que caiu naquele ERRO que tanto denunciou Bento XVI, o Catolicismo do INDIFERENTISMO humano, do ateísmo PRÁTICO, do RELATIVISMO.
Um catolicismo MORALISTA, que exige dos OUTROS, que vive de APARÊNCIA e que só busca a Deus para PEDIR coisas para si mesmos.
Chame um rezador de rosário, uma jovem de véu para TRABALHAR pelo Evangelho dentro de um HOSPITAL, num presídio, numa favela, numa zona rural, num asilo, que você verá que NINGUÉM vai aparecer e ainda vão ATACAR quem faz.
Acredito que esta realidade se encaixe na maioria das nossas dioceses, algumas mais, outras menos; mas todas estão sofrendo a mesma CRISE de infantilidade.
Pensemos, aonde vamos parar?
Autor: Randersson Freitas
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Ótima reflexão
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