Últimos dias nas redes sociais vimos uma sociedade que se mobiliza intensamente para salvar um animal, mas relativiza a vida de uma criança inocente ainda no ventre materno, somos chamados a refletir sobre essa hipocrisia moral.
Defender a vida não pode ser um gesto simbólico apenas quando se trata de um animal indefeso e dócil. Ou se defende toda vida humana — especialmente a mais frágil que ainda não nasceu — ou se está apenas escolhendo quais vidas valem a pena.
A questão moral surge quando se observa uma inversão de valores: uma sociedade que reage com indignação diante da morte de um animal, mas relativiza ou justifica a eliminação de uma criança inocente no ventre materno. À luz da doutrina cristã, essa postura revela uma defesa seletiva da vida, baseada mais na emoção do que na verdade moral.
Devemos analisar que provocar o aborto de um cachorro (como causar a perda da gestação de uma cadela) por meio de violência, agressão ou maus-tratos é considerado crime no Brasil. Isso está enquadrado nas leis de proteção animal que criminalizam crueldade e maus-tratos contra animais domésticos, incluindo cães e gatos. No Brasil, a Lei nº 14.064/2020 — conhecida como “Lei Sansão”
Mas a mesma sociedade que se move a defender um cachorro covardemente assassinado se cala quando é uma criança no ventre da sua mãe , pensa bem, é proibido em animais mas querem em humanos a assistolia fetal - uma crueldade tanto quanto sofre um cãozinho com maus tratos.
A fé cristã nos ensina que toda vida é um dom sagrado confiado por Deus aos nossos cuidados. Desde o primeiro instante da existência, cada ser humano é querido, amado e chamado pelo Senhor. Como diz o salmista: “Tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe” (Salmo 139,13). Não há vida anônima para Deus.
É louvável que o coração humano se comova diante do sofrimento dos animais, pois eles também fazem parte da criação divina. A Sagrada Escritura afirma que o justo cuida de seus animais (Provérbios 12,10). No entanto, a fé cristã nos convida a ir além: a reconhecer que a vida humana possui uma dignidade singular, pois foi criada à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1,27).
O problema não é amar os animais, mas amar mais aquilo que não exige responsabilidade. Um cachorro não demanda sacrifícios duradouros, não confronta escolhas passadas, não exige renúncia - é um cuidado objetivo. Uma criança, sim demanda responsabilidade. Talvez por isso seja mais fácil chorar por um animal do que defender um bebê que ainda não pode ser visto.
Jesus nos ensina que o verdadeiro amor começa pelos mais pequenos e indefesos (Mateus 25,40). E ninguém é mais frágil do que aquele que ainda não nasceu.
João Paulo II alertou que uma sociedade que aceita o aborto perde o sentido do que é o ser humano (Evangelium Vitae). Quando a compaixão se torna seletiva, ela deixa de ser virtude e passa a ser conveniência emocional.
São João Paulo II ainda nos recorda: “A vida humana é sagrada porque, desde o seu início, envolve a ação criadora de Deus” (Evangelium Vitae, n. 53). Defender a vida, portanto, não é apenas uma posição moral, mas um ato de fidelidade ao Evangelho.
Peçamos ao Senhor um coração verdadeiramente igual a de Cristo: um coração que cuide da criação - citado até na campanha da fraternidade em 2025 sobre Ecologia Integral, mas que nunca percamos a capacidade de defender a vida humana desde o seu primeiro instante.
Que Maria, Mãe da Vida, interceda por nós. Amém.
Por Andre RIbeiro
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