5 lições que Fulton Sheen nos ensina sobre mídias sociais

 “Jesus te ama.”

“Ore. Tenha esperança. Não se preocupe.”
“Pregue o Evangelho em todos os momentos.”

O Facebook, o X, o Instagram e inúmeras outras plataformas estão repletos de frases de efeito cristãs quase vazias e outras mensagens superficiais. Frequentemente, ditos banais são retuitados ou compartilhados acompanhados de algum tipo de exortação para "espalhar a palavra". Como cristão, é fácil se sentir culpado por apoiar esse tipo de coisa. Acredite, estou comprometido em construir uma cultura cristã, mas às vezes posso me envergonhar profundamente desse conteúdo. Nos casos mais extremos, pode parecer que não compartilhar determinada imagem ou citação "porque você é cristão" é negar o próprio Jesus.


E quanto à evangelização nas redes sociais? Um tweet de 280 caracteres vai convencer alguém do Evangelho? A Igreja se recusa a ficar ausente da conversa — isso por si só já nos diz algo importante. O Papa Francisco (@Pontifex) tinha cerca de 17 milhões de seguidores em sua conta em inglês. A Igreja é chamada a ser fermento para o mundo, e isso significa continuar compartilhando a luz e a esperança da mensagem do Evangelho, 
mesmo na internet. Monsenhor Paul Tighe coloca desta forma: “Se nos retirarmos, estaremos deixando esses espaços para os trolls. Estaremos deixando-os para os valentões.

Embora poucos acreditem que a Igreja deva se ausentar das redes sociais, muitos podem questionar a utilidade delas . Será que ver uma passagem bíblica no feed de alguém no Facebook realmente ajuda a infundir uma alma com uma abundância de graças concretas, inclusive a graça da justificação? Parece insensato simplesmente fechar essa porta. Os desígnios da Providência são misteriosos, e o Criador ama usar causas instrumentais para alcançar Seus objetivos. Longe de mim, teólogo, declarar a internet uma opção banida do plano de Deus.

O Papa Francisco ofereceu uma maneira útil de definir nossa presença católica online à luz do seguinte objetivo: construir uma cultura de encontro. “O grande desafio que enfrentamos hoje é aprender, mais uma vez, a conversar uns com os outros, e não simplesmente a gerar e consumir informações”. Encontros evangélicos genuínos exigem relacionamentos autênticos e trocas verdadeiras. Nosso objetivo, portanto, é usar a internet para nutrir esses encontros que, inspirados e guiados pela graça de Deus, possam frutificar em inúmeras vidas.

Mas a quem podemos recorrer como exemplo de como fazer isso? As inovações da mídia são, por definição, sem precedentes. No entanto, creio que devemos nos inspirar em Fulton Sheen. Ao analisarmos o exemplo de sua vida e ensinamentos, podemos deduzir alguns princípios para orientar nossa pregação online.

1. RELACIONAMENTOS

Quando seu programa saiu do ar em 1957, o Arcebispo Sheen tinha uma audiência de cerca de trinta milhões de pessoas. As pessoas adoravam sua apresentação do Evangelho porque sentiam como se ele estivesse falando diretamente com elas. Sheen nunca usou teleprompter ou cartões com instruções. Ele era professor, então fazia o que amava: ensinava. Ele ensinava a plateia, e ela respondia como seus alunos. Sheen conseguiu construir, através das barreiras de microfones e telas, conexões pessoais com seu público, a relação muito real de um professor com seus alunos.  

Nas redes sociais, também precisamos encontrar uma maneira de atrair as pessoas para nossas pequenas "transmissões" — nossas curtidas, publicações e compartilhamentos — e construir relacionamentos reais com nossos amigos e seguidores. Sheen não usava seus programas para fazer proselitismo; ele deixava para seu público a conclusão de que suas palavras deveriam levá-los a Alguém de quem precisavam em suas vidas. Nas palavras do próprio Sheen: "Há uma necessidade de acolher almas atormentadas como Pedro, agnósticos como Tomé e místicos como João e conduzi-los às lágrimas, aos joelhos ou ao repouso no Sagrado Coração [de Cristo]".

2. PANACHE

Independentemente do que se possa dizer sobre Fulton Sheen, não se pode afirmar que lhe faltasse estilo. O mundo inteiro conhece sua batina e capa episcopal (chamada ferraiolo ). Sheen apareceu na televisão vestindo as vestes tradicionais. Seu traje transmitia uma mensagem clara: meu trabalho é real, assim como minhas palavras. Mas o programa também era surpreendentemente simples. Seus únicos adereços eram um pedaço de giz e um quadro-negro.  

Essa combinação de nobre simplicidade deve guiar as escolhas estéticas do e-Evangelho, que pode transmitir uma mensagem tão poderosa sem sequer usar palavras. Nossos sites devem ser atraentes e de fácil navegação. As imagens que compartilhamos devem ser impactantes e belas. Nossos designs devem ser claramente inspirados em nossas tradições, e devemos evitar formas de arte e representações que sejam desconexas ou incompatíveis com o nosso trabalho. A Igreja — mesmo na internet — deve ser sentida como a Igreja.

3. SUBSTÂNCIA

   
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A romancista inglesa Dorothy Sayers escreve:

É inútil apresentar o cristianismo como uma aspiração vagamente idealista, simples e consoladora; pelo contrário, trata-se de uma doutrina árdua, rigorosa, exigente e complexa, imersa num realismo drástico e intransigente. E é fatal imaginar que todos sabem muito bem o que é o cristianismo e precisam apenas de um pouco de incentivo para praticá-lo.

O Arcebispo Sheen era professor de filosofia. Era um homem profundamente versado em Aristóteles e Platão, fruto de anos de estudo na prestigiada Universidade Católica de Leuven, na Bélgica. Seu ensino e pregação extraíam o melhor de Agostinho e Tomás de Aquino, e ele utilizava a sabedoria deles para compor uma apresentação direta do Evangelho. Como ele mesmo dizia: “Pregação e palestras são impossíveis sem muito estudo e leitura. Talvez essa seja uma das fraquezas do púlpito moderno…” O arcebispo não se furtava a dizer o que pensava, mas trabalhava incansavelmente para demonstrar a plenitude do ensinamento católico.  

Numa sociedade que mal sabe que significado atribuir à palavra "cristão", temos de empreender uma explicação completa da Fé. O novo paganismo exige que ensinemos as verdades intemporais da Fé como se fossem totalmente novas. Fulton Sheen não minou nem ocultou a tradição; ele revelou a sua genialidade.

4. ORIGINALIDADE

George Orwell acreditava que a primeira cura para remediar o estado decaído da língua inglesa era "nunca usar uma metáfora, símile ou outra figura de linguagem que você esteja acostumado a ver impressa". O mesmo princípio se aplica à nossa presença nas redes sociais. Creio que poucas pessoas se interessam pela imagem de "João 3:16" em um cartaz. Elas acham que sabem o que significa e, para elas, é algo entediante. Sheen era um gênio criativo. Ele adorava usar histórias, metáforas e exemplos. Esses elementos moldaram seus ensinamentos e conquistaram o coração de milhões de pessoas.  

É claro que nem todo discípulo é um gênio criativo, mas todos podem filtrar o que compartilham. Se você acha algum conteúdo banal ou tedioso, por que o ofereceria a outra pessoa?

5. CRISTOCÊNTRICO   




O Arcebispo Sheen preparava todos os seus sermões na presença do Santíssimo Sacramento. Nas suas palavras: “Um amante trabalha sempre melhor quando o Amado está com ele”. As ideias mais brilhantes surgem do encontro com Deus face a face, porque a pregação é obra do próprio Deus.  

Nós, sozinhos, não vamos construir uma cultura cristã do século XXI com a artrite causada pela digitação frenética ou pelo café consumido em noites de estudo.   Cristo atrai homens e mulheres a Si, e nós participamos de Sua obra.  A graça de Deus alimentou e revitalizou a pregação do Arcebispo Sheen, transformando seus talentos naturais em frutos sobrenaturais. O mistério do nosso Batismo, o mistério da nossa vocação cristã, é que Deus fará o mesmo por nós também… mesmo pela internet.

Fonte : https://catholicexchange.com/




















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