Reflexão : Uma crítica necessária à Campanha da Fraternidade . Saiba mais :

Somos obedientes a igreja e aos lideres espirituais e,  por isso É necessário olhar com respeito e fazer uma reflexão profunda A Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se apresenta como uma iniciativa de reflexão e ação social inspirada nos valores cristãos. No entanto, ao longo dos anos, a campanha tem se afastado de sua missão espiritual original e se aproximado cada vez mais de agendas ideológicas e políticas que não representam a totalidade dos fiéis católicos.




Um dos principais problemas da Campanha da Fraternidade é a sua politização recorrente. Em vez de priorizar a evangelização, a conversão pessoal e o fortalecimento da fé — pilares centrais do cristianismo —, muitos de seus temas e materiais acabam promovendo leituras sociopolíticas específicas da realidade brasileira. Isso transforma a campanha, na prática, em um instrumento de militância, e não em um espaço de unidade espiritual.

Além disso, a campanha frequentemente simplifica problemas complexos, apresentando diagnósticos e soluções rasas alinhados a correntes ideológicas particulares, como se fossem consensos morais indiscutíveis. Essa postura ignora a diversidade de pensamento existente dentro da própria Igreja e reduz o debate a uma narrativa única, onde questionamentos legítimos são tratados como falta de compromisso cristão.


É inegável que a fé cristã possui uma dimensão social. O Evangelho fala de justiça, caridade e cuidado com o próximo. A Campanha da Fraternidade frequentemente cai nesse erro: substitui o anúncio do Evangelho por diagnósticos sociológicos e soluções alinhadas a correntes ideológicas bem definidas.

Outro ponto crítico é o uso da estrutura paroquial (construída pela própria comunidade) para difundir essas pautas ideólogicas. Muitos fiéis se sentem desconfortáveis ao perceber que homilias, encontros e materiais catequéticos passam a girar em torno de temas políticos ou sociais específicos, em detrimento da Palavra de Deus, dos sacramentos e da vida espiritual da quaresma. A Igreja corre o risco de ser percebida mais como uma ONG ou um ator político do que como uma comunidade de fé. Esse processo gera um efeito colateral grave: a politização da vida litúrgica e pastoral num efeito dominó de sincretismo religioso. Paróquias que deveriam ser espaços de oração, acolhimento e formação espiritual acabam se tornando palcos de discursos que dividem, rotulam e constrangem fiéis que não compartilham da mesma visão política, vimos isso claramente no viral do Padre da Basílica Nacional de Nossa Senhora de Aparecida contra o Deputado Nikolas Ferreira nos últimos dias .

Não se trata de negar a importância da doutrina social da Igreja ou da responsabilidade cristã diante das injustiças do mundo. O problema está no desequilíbrio: quando a ação social se sobrepõe à dimensão espiritual, perde-se aquilo que torna a Igreja única. A transformação social autêntica, segundo a própria tradição cristã, nasce da conversão do coração, não da adesão a programas ideológicos.

Por fim, é legítimo questionar se a Campanha da Fraternidade, da forma como vem sendo conduzida, realmente promove a fraternidade que proclama. Ao adotar discursos que dividem, rotulam e politizam a fé, a campanha acaba afastando muitos fiéis e enfraquecendo a comunhão eclesial.

Uma revisão profunda da Campanha da Fraternidade se faz necessária — não para abandonar o compromisso com o próximo, mas para recolocar Cristo, o Evangelho e a vida espiritual no centro da missão da Igreja.

No Jubileu dos Reclusos, Leão XIV em um trecho afirma 'Na verdade, é Cristo quem abre os olhos do homem à glória de Deus. Ele vence as ideologias, que impedem de ouvir a verdade'.

Fraternidade verdadeira não se impõe por discursos prontos — ela nasce da verdade, da liberdade e da centralidade de Cristo por meio que a própria Liturgia da Igreja  impõe, viver bem a  Quaresma.

Por André Ribeiro


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