Somos obedientes a igreja e aos lideres espirituais e, por isso É necessário olhar com respeito e fazer uma reflexão profunda A Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se apresenta como uma iniciativa de reflexão e ação social inspirada nos valores cristãos. No entanto, ao longo dos anos, a campanha tem se afastado de sua missão espiritual original e se aproximado cada vez mais de agendas ideológicas e políticas que não representam a totalidade dos fiéis católicos.
Um dos principais problemas da Campanha da Fraternidade é a sua politização recorrente. Em vez de priorizar a evangelização, a conversão pessoal e o fortalecimento da fé — pilares centrais do cristianismo —, muitos de seus temas e materiais acabam promovendo leituras sociopolíticas específicas da realidade brasileira. Isso transforma a campanha, na prática, em um instrumento de militância, e não em um espaço de unidade espiritual.
Além disso, a campanha frequentemente simplifica problemas complexos, apresentando diagnósticos e soluções rasas alinhados a correntes ideológicas particulares, como se fossem consensos morais indiscutíveis. Essa postura ignora a diversidade de pensamento existente dentro da própria Igreja e reduz o debate a uma narrativa única, onde questionamentos legítimos são tratados como falta de compromisso cristão.
É inegável que a fé cristã possui uma dimensão social. O Evangelho fala de justiça, caridade e cuidado com o próximo. A Campanha da Fraternidade frequentemente cai nesse erro: substitui o anúncio do Evangelho por diagnósticos sociológicos e soluções alinhadas a correntes ideológicas bem definidas.
Uma revisão profunda da Campanha da Fraternidade se faz necessária — não para abandonar o compromisso com o próximo, mas para recolocar Cristo, o Evangelho e a vida espiritual no centro da missão da Igreja.
Fraternidade verdadeira não se impõe por discursos prontos — ela nasce da verdade, da liberdade e da centralidade de Cristo por meio que a própria Liturgia da Igreja impõe, viver bem a Quaresma.
Por André Ribeiro
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