Encontro em Brasília reúne 18 países para discutir prevenção de abusos na Igreja

 O IV Encontro da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado acontecerá de segunda-feira (31) a quinta-feira (3), na casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF). Os 102 participantes de 18 países vão discutir a prevenção de abusos e a proteção de pessoas vulneráveis na Igreja. O Brasil terá uma delegação de 41 representantes indicados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).


O tema do encontro é “A cultura do cuidado na Igreja da América Latina e do Caribe: uma perspectiva a partir da Magnifica Humanitas”. Segundo a CNBB, as discussões estarão centradas nos “abusos de natureza não sexual, como abusos de poder e de consciência”, e nas “vulnerabilidades que emergem ou se propagam nas redes sociais e no ambiente digital”.

Segundo a CNBB, o trabalho da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado se apoia em três eixos: prevenção, acolhimento e atendimento dos casos e reparação. O encontro contará também com especialistas internacionais e peritos da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores.

O bispo de Cristalândia (TO), dom Wellington de Queiroz Vieira, presidente da Comissão Especial para a Tutela de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB, disse ao site da CNBB que a prevenção de abusos “exige rede, corresponsabilidade, formação, vigilância, humildade institucional e, sobretudo, exige conversão pastoral”.

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Prevenção de abusos na Igreja no Brasil

A proteção de menores e pessoas vulneráveis esteve entre os assuntos tratados pelos bispos do Brasil na 62ª Assembleia Geral da CNBB. Durante o encontro, a CNBB e a CRB assinaram um protocolo de intenções com a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores para fortalecer a cultura da proteção e a promoção de ambientes seguros na Igreja.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2026-2032, aprovadas na assembleia e publicadas pelas Edições CNBB, dizem, no número169: “A proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis é dever irrenunciável de toda a comunidade eclesial”, diz as DGAE.

Segundo o documento, “a promoção de ambientes seguros, a escuta atenta das vítimas, a transparência nos procedimentos e a colaboração com órgãos e autoridades competentes fazem parte do compromisso evangélico com a verdade, a justiça e a reparação, expressões concretas da missão da Igreja”.

Igreja no Brasil ainda não tem dados nacionais consolidados

O Núcleo Lux Mundi, mantido pela CNBB e pela CRB, desde 2020 para auxiliar dioceses e institutos religiosos na implantação de políticas e serviços de proteção, disse à ACI Digital que não tem conhecimento de um levantamento oficial atualizado sobre quantas dioceses e arquidioceses brasileiras contam hoje com comissão ou serviço de proteção e canal para receber denúncias.

Segundo o núcleo, uma busca pelos canais oficiais das dioceses e congregações religiosas mostra que nem todas as entidades eclesiais dispõem desses serviços. A procura recebida pelo Lux Mundi para auxiliar na elaboração de políticas de proteção e na instalação dessas estruturas também confirma essa percepção.

O Lux Mundi disse também que não tem dados nacionais sobre quantas denúncias chegam aos serviços de proteção.

Segundo o Lux Mundi, um dos objetivos do encontro da próxima semana é “impulsionar a articulação da Igreja no Brasil em torno do cuidado e da proteção”. Participarão representantes dos 19 regionais da CNBB e dos 20 regionais da CRB.

“A consolidação dessa articulação nacional é um dos frutos desejados e, ao mesmo tempo, nosso ‘dever de casa’, após o encontro da Rede”, concluiu.

Fonte https://www.acidigital.com/

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