'Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno', diz Lula - uma reflexão sobre política e responsabilidade cristã

A frase “Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno”, atribuída ao discurso político do Presidente e candidato a reeleição do Lula  em meio à disputa eleitoral, chama a atenção não apenas pelo impacto de suas palavras, mas também pelo significado que pode assumir diante dos valores cristãos que orientam grande parte da sociedade.




Segundo a noticia da Gazeta do Povo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que vai “fazer o diabo” para vencer as eleições de 2026 ainda no primeiro turno. Segundo a declaração publicada pelo colunista Lauro Jardim, Lula demonstrou confiança na estratégia eleitoral. E, além disso, sinalizou que pretende trabalhar intensamente para conquistar a vitória já na primeira votação. Ao mesmo tempo, a fala reforça a disposição do petista para mobilizar sua base durante a Campanha


Em uma perspectiva e reflexão católica, a política deve ser compreendida como uma forma de serviço ao bem comum, e não simplesmente como uma disputa pelo poder. A busca por uma vitória eleitoral é legítima dentro da democracia, mas os meios utilizados para alcançá-la também precisam respeitar a verdade, a dignidade humana e a justiça.


A expressão “fazer o diabo” pode ser entendida como uma figura de linguagem para indicar esforço máximo na campanha. Entretanto, para o cristão, nenhuma vitória política justifica a mentira, a calúnia, a manipulação ou a desonestidade. O resultado das urnas não deve estar acima da consciência e dos princípios morais.


A tradição da Igreja Católica recorda que a autoridade política deve estar a serviço da sociedade e da promoção do bem comum. Por isso, uma campanha eleitoral deveria incentivar o diálogo, o respeito aos adversários e a busca por soluções concretas para os problemas que afetam as famílias e os mais necessitados.


Como recorda o Papa Leão XIV, “a ação política foi justamente definida por Pio XI como a mais alta forma de caridade”. A política, portanto, não pode ser reduzida à conquista do poder ou à derrota de um adversário. Para o católico, governar é servir; disputar uma eleição é assumir uma responsabilidade diante de Deus e dos homens. A verdadeira vitória não está apenas em conquistar o primeiro turno, mas em preservar a verdade, a justiça, a dignidade humana e o bem comum. 

Em tempos de intensa polarização, o eleitor católico é chamado a discernir com prudência. Mais importante do que simplesmente perguntar quem vencerá no primeiro turno é perguntar quais propostas promovem a dignidade da pessoa humana, a justiça, a paz e o bem comum.


A política passa, as eleições terminam e os governos mudam. Permanecem, porém, a responsabilidade diante de Deus, da própria consciência e da sociedade. Por isso, qualquer projeto político que pretenda conquistar o voto dos cidadãos deve lembrar que os fins não justificam os meios e que a verdadeira vitória é aquela alcançada sem abandonar a verdade e a dignidade humana.



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O papel do eleitor católico


Para um católico, a expressão “chamar o diabo” não deve ser tratada com banalidade. Ainda que muitas vezes seja utilizada apenas como força de expressão, o cristão é chamado a ter prudência também com aquilo que diz, pois a linguagem revela aquilo que carregamos no coração. O demônio é uma realidade reconhecida pela fé da Igreja, mas não deve ser invocado, glorificado ou utilizado como instrumento de brincadeira. O cristão, ao contrário, é chamado a rejeitar o mal e a permanecer unido a Cristo: “Renuncia ao demônio, a todas as suas obras e a todas as suas seduções”. Por isso, em vez de falar em “fazer o diabo” para alcançar uma vitória, o católico deveria buscar a vitória pela verdade, pela justiça, pela oração e pela caridade, colocando seus projetos sob a proteção de Deus e lembrando que nenhuma conquista política ou pessoal vale o preço de afastar-se de Cristo.


A responsabilidade não está apenas nos candidatos. O eleitor também possui um papel fundamental.


O cidadão católico é chamado a analisar propostas, verificar informações, conhecer a trajetória dos candidatos e avaliar suas posições diante dos problemas concretos da sociedade. A escolha eleitoral não deveria ser baseada exclusivamente em simpatia pessoal, propaganda ou ataques contra adversários.


O discernimento exige prudência.


Para nós, católicos, Cristo deve reinar em nossas famílias, em nossas consciências e também nos valores que sustentam a sociedade. Seu reinado não é um projeto de poder humano, mas o reinado da Verdade, da Justiça e da Caridade. Uma sociedade verdadeiramente cristã deve reconhecer que a dignidade de cada pessoa vem de Deus e que nenhuma ideologia, partido ou projeto político pode ocupar o lugar que pertence a Nosso Senhor. Quando Cristo reina, a vida é respeitada, a família é fortalecida, os pobres e os necessitados são amparados, a verdade é defendida e a autoridade é entendida como serviço. “Venha a nós o vosso Reino” não deve ser apenas uma oração pronunciada com os lábios, mas um compromisso vivido na realidade: trabalhar para que os princípios do Evangelho iluminem nossas escolhas, nossas leis, nossas famílias e toda a vida social. 

O católico não é chamado simplesmente a conquistar o poder, mas a santificar a vida pública pela verdade e pela caridade, lembrando que todo poder humano é passageiro, enquanto o Reino de Cristo permanece para sempre.


Por Andre Ribeiro 


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