Uma catequese que não fala de pecado está incompleta?

 Uma catequese que fala somente de “amor”, “acolhimento” e “Deus nos ama”, mas nunca ensina sobre pecado, conversão, arrependimento, mandamentos, juízo e perdão, está apresentando uma mensagem incompleta da fé católica.


A questão, portanto, não é simplesmente “devemos falar de pecado?”. A resposta católica é sim. A questão é como falar dele: com verdade, mas também com misericórdia; mostrando o mal do pecado, mas anunciando sobretudo a graça de Cristo, que chama o pecador à conversão e oferece o perdão.

Na catequese católica, falar de pecado não é algo secundário. O pecado faz parte da realidade humana e está diretamente relacionado à necessidade de salvação que Cristo veio oferecer. Por isso, uma catequese que nunca fala de pecado, conversão e arrependimento corre o risco de apresentar uma mensagem incompleta do Evangelho.


É justamente por isso que São João Paulo II, na Catechesi Tradendae, ensina que a catequese deve transmitir integralmente o conteúdo da fé. No nº 30, ele chega a perguntar:


“Que seria duma catequese que não desse o devido lugar [...] ao pecado que cometeu, ao desígnio de redenção [...] à necessidade de penitência [...] e ao poder de Deus que dele nos liberta?”

 

A Igreja Católica ensina que o pecado é uma realidade que rompe a comunhão com Deus. O Catecismo da Igreja Católica afirma que o pecado é uma falta contra a razão, a verdade e a consciência reta, e que ele fere a natureza do ser humano e a solidariedade entre as pessoas. Por isso, compreender o pecado é também compreender por que precisamos da graça e da redenção.


Entretanto, falar de pecado não significa transformar a catequese em uma lista de proibições ou fazer com que crianças e jovens tenham uma visão baseada apenas no medo. O centro da catequese é Jesus Cristo. É justamente à luz do amor de Deus que o cristão aprende a reconhecer o pecado, arrepender-se e buscar uma vida nova.


O próprio anúncio cristão está ligado à conversão. Jesus inicia sua pregação chamando as pessoas à conversão e anunciando o Reino de Deus. O Evangelho não apresenta apenas a ideia de que Deus nos ama; ele também nos chama a mudar de vida e a abandonar aquilo que nos afasta de Deus.


Por isso, uma boa catequese precisa encontrar um equilíbrio. Ela deve ensinar o que é o pecado, explicar suas consequências e apresentar os mandamentos e a moral cristã, mas sempre dentro do anúncio da misericórdia. O objetivo não é produzir culpa sem esperança, mas levar a pessoa a reconhecer sua necessidade de Deus.

O amor de Deus não elimina o chamado à conversão. Pelo contrário: porque Deus nos ama, Ele nos chama a abandonar o pecado e a viver em sua graça.

“Convertei-vos e crede no Evangelho.”
Marcos 1,15

Isso é especialmente importante quando se fala do Sacramento da Confissão . Se a criança ou o jovem não compreende o que é pecado, dificilmente compreenderá por que existe a confissão. Da mesma forma, se a catequese fala somente de amor e acolhimento, mas nunca explica conversão, arrependimento e perdão, pode transmitir uma compreensão reduzida da vida cristã.


O próprio Sacramento da Reconciliação confirma essa realidade. O Catecismo explica que ele é chamado Sacramento da Conversão, porque realiza sacramentalmente o chamado de Jesus à conversão, e Sacramento da Penitência, porque envolve arrependimento e conversão do cristão pecador. A confissão dos pecados é um elemento essencial desse sacramento


A misericórdia de Deus não elimina a realidade do pecado. Pelo contrário: a misericórdia é necessária justamente porque o ser humano pode afastar-se de Deus. O anúncio católico une essas duas verdades: Deus ama o pecador e, ao mesmo tempo, chama-o à conversão.


Portanto, não é correto dizer que uma catequese é boa simplesmente porque evita falar de pecado. Também não seria correto dizer que uma catequese é boa apenas porque fala constantemente de pecado. A catequese verdadeiramente católica deve apresentar a totalidade da fé: o pecado e a graça, a queda e a redenção, o arrependimento e o perdão, a cruz e a ressurreição.


O catequista não é chamado a condenar, mas a evangelizar. E evangelizar significa apresentar Cristo de maneira integral. Quando a pessoa compreende o pecado, pode compreender melhor a necessidade da salvação; quando compreende a salvação, pode compreender melhor a grandeza da misericórdia; e, conhecendo a misericórdia de Deus, pode responder com uma verdadeira conversão de vida.


Assim, uma catequese que nunca fala de pecado pode estar incompleta. Mas uma catequese que fala de pecado sem apresentar a esperança da graça também está incompleta. O caminho católico é anunciar a verdade com caridade: mostrar o que nos afasta de Deus e, principalmente, mostrar que em Cristo existe perdão, reconciliação e vida nova.


Sem pecado, a própria Cruz perde seu sentido


Pensemos por um instante.


Se não existe pecado, por que Cristo morreu por nós?

Se não precisamos de conversão, por que Jesus nos chama a nos converter?

Se não precisamos de perdão, por que Cristo deu aos Apóstolos a missão de anunciar o perdão dos pecados?

Se não existe pecado grave, por que existe o Sacramento da Reconciliação?

A fé católica não separa essas coisas.

Retirar o pecado da catequese não torna o Evangelho mais bonito.

Pode simplesmente fazer com que o Evangelho deixe de ser compreendido em sua totalidade. O pecado portanto precisa ser explicado.



Por Andre Ribeiro


Para saber mais Leia

📖 Catecismo da Igreja Católica, §1697 — “catequese do pecado e do perdão”. 

📖 Catecismo da Igreja Católica, §§1427–1433 — conversão e penitência
📖 Catecismo da Igreja Católica, §§1422–1424 — Sacramento da Conversão, Penitência e Confissão.
📖 Catecismo da Igreja Católica, §§981–987 — a missão da Igreja de anunciar o perdão dos pecados.
📖 São João Paulo II, Catechesi Tradendae, nº 30 — integridade do conteúdo da catequese. 


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