O papa Leão XIV levou nesta sexta-feira à sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em Paris, uma mensagem centrada nos desafios impostos pela inteligência artificial e na necessidade de preservar o ser humano no centro das transformações tecnológicas. A visita faz parte da primeira viagem do pontífice à França, que se estende até segunda-feira, com passagens por Paris, Lourdes e Metz.
Em sua passagem pela organização, o papa destacou a preocupação com um futuro em que o avanço das máquinas possa ultrapassar a capacidade humana de controlar suas próprias escolhas. Em discurso realizado durante a viagem, Leão XIV advertiu para o risco de se perder a dimensão humana em meio a um eventual “paraíso das máquinas” e defendeu a educação para o discernimento ético como uma resposta aos novos desafios tecnológicos.
Ao abordar a educação e a dignidade humana, Leão XIV retoma uma preocupação presente no magistério de seus antecessores. Em suas intervenções, o pontífice destaca que a educação deve contribuir para a formação integral da pessoa e para o bem comum, afirmando que seu valor deve ser medido em relação à dignidade humana, à justiça e à capacidade de servir aos outros. Essa visão dialoga com o discurso de João Paulo II na UNESCO, em 1980, quando o papa afirmou que a educação tem como tarefa ajudar o ser humano a “ser” mais, e não apenas a “ter” mais, relacionando a formação humana à dignidade da pessoa. Também se aproxima do legado de Francisco, que colocou a educação e a proteção dos mais vulneráveis entre temas centrais de seu pontificado
A inteligência artificial é um dos principais temas da visita. A UNESCO tem defendido uma abordagem internacional para o desenvolvimento da tecnologia, com atenção à igualdade de oportunidades, à inclusão e à proteção de direitos. A organização também relaciona o debate sobre IA à educação, à integridade da informação e à criação artística.
O discurso de Leão XIV ocorre ainda em um momento de intenso debate internacional sobre os limites e a regulamentação da inteligência artificial. O pontífice vem colocando o tema entre as questões centrais de seu pontificado e defendendo que o desenvolvimento tecnológico seja acompanhado por princípios éticos e pela proteção da dignidade humana.
A escolha da UNESCO como palco da mensagem também tem um significado simbólico. A organização das Nações Unidas atua nas áreas de educação, ciência, cultura e informação — setores diretamente afetados pela expansão da inteligência artificial. Para a UNESCO, a visita representa uma oportunidade de aprofundar a cooperação com a Santa Sé em torno de um modelo de inovação que mantenha valores humanos como referência.
Além da tecnologia, a viagem francesa do papa é marcada por uma agenda relacionada à paz, aos direitos humanos e ao papel da educação na construção das sociedades. Antes da visita à UNESCO, Leão XIV esteve no Palácio do Eliseu, onde falou sobre dignidade humana, liberdade e a necessidade de promover a paz
Ao levar o debate sobre inteligência artificial para uma instituição internacional dedicada à educação, à ciência e à cultura, Leão XIV procura inserir a Igreja Católica em uma discussão que ultrapassa as fronteiras religiosas. A mensagem apresentada em Paris coloca em primeiro plano uma questão que deverá acompanhar governos, universidades e empresas nos próximos anos: como aproveitar os avanços da tecnologia sem deixar que eles reduzam o espaço destinado à autonomia, à criatividade e às decisões humanas.
O que significa ser humanos?
Antes de mais, a pessoa humana é alguém que é concebido e nasce. E enquanto filhos, somos todos irmãos. Em segundo lugar, todos necessitados de cuidados e de afeto. Esquecê-lo, significa tratar a vida como mercadoria. Em terceiro lugar, lembrar da nossa humanidade comum significa reconhecer que ela é magnífica, e necessita de justiça para que possa brilhar. E A guerra representa a sua antítese.
Foi então que o tema da paz entrou no discurso do Santo Padre. Esta não pode ser construída apenas com tratados, mas “é verdadeira quando brota da virtude da justiça, mais do que de um mero contrato”. Hoje, analisou, formas de barbárie fomentam rivalidades e conflitos. E as novas tecnologias podem se tornar um novo instrumento de domínio e injustiça.
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