Odres Novos: um coração renovado por Jesus

A expressão “vinho novo em odres novos” é um dos ensinamentos de Jesus que nos convida a olhar para nossa própria vida e perguntar: meu coração está realmente aberto para Deus?

 “Ninguém põe vinho novo em odres velhos. [...] Mas vinho novo deve ser posto em odres novos.”

(Mc 2,22)

No Evangelho segundo São Marcos, Jesus utiliza a imagem do vinho e dos odres para falar da novidade que Ele veio trazer. O Evangelho não é simplesmente mais uma ideia ou mais uma regra para acrescentarmos à nossa vida. Em Cristo, somos chamados a uma verdadeira transformação.


O próprio Papa Francisco, ao refletir sobre essa passagem, explicou que a novidade do Evangelho exige de nós um novo modo de viver. Para ele, ser “odre novo” significa ter um coração aberto à ação do Espírito Santo, capaz de discernir aquilo que Deus deseja realizar em nossa vida. 




O que são os odres?


Na época de Jesus, os odres eram recipientes utilizados para guardar líquidos, especialmente vinho. O vinho novo, durante o processo de fermentação, precisava de um recipiente capaz de se adaptar à sua expansão. Um odre velho, endurecido, poderia romper-se.


Jesus usa essa realidade para apresentar uma mensagem espiritual: a novidade que Deus deseja realizar em nós pede um coração disposto a ser renovado.


O vinho novo pode ser compreendido como a novidade do Evangelho, a graça e a vida nova que Cristo oferece. O odre representa nossa vida, nosso coração e nossa disposição para acolher essa novidade.


Por isso, a pergunta para cada cristão é:

Estou disposto a deixar Jesus transformar meu coração?


O coração pode ficar “velho”


Um coração pode ficar velho quando se fecha para Deus.

Podemos participar da catequese, conhecer orações, frequentar a Igreja e até falar sobre Jesus, mas continuar carregando dentro de nós sentimentos e atitudes que não correspondem ao Evangelho.


O coração pode se endurecer pelo orgulho, pelo egoísmo, pela falta de perdão, pela mágoa, pelo comodismo ou pelo pecado.


O Papa Francisco chamou atenção justamente para esse perigo: o coração fechado à novidade do Espírito Santo pode fazer com que a vida cristã fique apenas como uma espécie de “remendo”, misturando coisas novas com uma vida que não deseja verdadeiramente mudar. 

Ser um “odre novo”, portanto, não significa ser perfeito. Significa estar disposto à conversão.

Deus deseja nos dar um coração novo


A Igreja ensina que a conversão é, antes de tudo, obra da graça de Deus. O Catecismo da Igreja Católica, ao falar da conversão, afirma que o coração humano pode se tornar pesado e endurecido e que é necessário que Deus lhe dê um coração novo. A conversão acontece quando nosso coração se volta novamente para Deus. 

Isso é muito importante para a catequese: não somos nós que nos transformamos sozinhos. É Deus quem nos concede a graça, mas precisamos acolhê-la.

Deus bate à porta do nosso coração, mas não nos obriga a abri-la.

Por isso, ser odre novo é dizer:


“Senhor, eu permito que Tu trabalhes em mim.”


Jesus não quer apenas fazer um remendo


Jesus também diz:

“Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha.”
(Mc 2,21)

Essa imagem nos ajuda a compreender que o cristianismo não consiste apenas em colocar algumas práticas religiosas sobre uma vida que continua igual.


Não é apenas acrescentar uma oração à rotina.


Não é apenas frequentar a catequese.


Não é apenas conhecer os mandamentos.


É permitir que Cristo transforme nossa maneira de pensar, sentir e agir.


O Papa Francisco afirma que a novidade do Evangelho deve alcançar nossa vida de maneira concreta. O Evangelho traz alegria, liberdade e um novo estilo de vida fundamentado no amor. 

Como ser um odre novo?


Ser odre novo é permitir que Jesus faça parte das nossas escolhas.


Para uma criança ou adolescente, isso pode significar aprender a obedecer aos pais, respeitar os colegas, evitar brigas, não praticar bullying, pedir perdão quando errar e ajudar quem precisa.


Para todos nós, significa também aprender a perdoar, abandonar o egoísmo, vencer o orgulho e buscar uma vida de oração.


A Igreja oferece caminhos concretos para essa renovação: a escuta da Palavra de Deus, a oração, a participação na Santa Missa, a Eucaristia e o Sacramento da Reconciliação.


Na Confissão, reconhecemos nossos pecados e recebemos a misericórdia de Deus. Assim, experimentamos concretamente que sempre é possível recomeçar com Cristo.


Uma pergunta para o nosso encontro 


Diante da Palavra de Jesus, podemos fazer uma pergunta muito simples:


“O que existe em meu coração que precisa ser renovado por Deus?”

Talvez seja uma mágoa.

Talvez seja uma dificuldade de perdoar.

Talvez seja o orgulho.

Talvez seja um pecado que precisamos abandonar.

Talvez seja simplesmente a falta de confiança em Deus.

Jesus não olha para nós para nos condenar, mas para nos chamar à vida nova.


Ele nos convida a não ter medo da conversão.


Um compromisso


Depois de refletir sobre “odres novos” Convido a escolher uma atitude concreta para colocar em prática durante a semana.


Pode ser:


  • pedir perdão a alguém;
  • perdoar uma pessoa;
  • ajudar mais em casa;
  • rezar todos os dias;
  • participar da Missa;
  • procurar o Sacramento da Reconciliação;
  • abandonar uma atitude que sabe que não agrada a Deus;
  • praticar uma obra de caridade.

O importante é compreender que a conversão precisa aparecer em nossas atitudes.


Conclusão


“Vinho novo em odres novos” é um convite de Jesus para que não tenhamos um coração fechado à ação de Deus.


Cristo deseja derramar em nós a novidade do seu Evangelho. Ele quer nos dar uma vida renovada, mas precisamos permitir que sua graça transforme aquilo que ainda precisa ser transformado.


Como ensinou o Papa Francisco, o Evangelho é novidade e exige de nós um novo estilo de vida; precisamos ter coragem de nos tornar “odres novos” para acolher aquilo que o Espírito Santo realiza em nosso coração. 

Por isso, ao terminar este encontro de catequese, podemos fazer nossa a seguinte oração:


“Jesus, fazei meu coração novo. Tirai de mim tudo aquilo que me afasta de Vós. Dai-me um coração aberto à vossa Palavra, à vossa graça e à ação do Espírito Santo. Que eu possa viver o Evangelho não apenas com palavras, mas com minhas atitudes. Amém.”


Por ANDRE RIBEIRO


Fontes católicas



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