Na publicação, Küster questiona a proximidade entre entidades religiosas e organizações políticas durante o período eleitoral. O argumento apresentado é que a realização de um encontro com participação de partidos e grupos políticos dentro da sede oficial da CNBB poderia levantar dúvidas sobre a neutralidade institucional da entidade.
O ponto central do questionamento apresentado por Küster é a utilização, supostamente anunciada, de uma estrutura institucional da CNBB para um encontro de caráter político-partidário. A denúncia ganhou repercussão depois que, segundo o relato publicado, o endereço do primeiro evento teria sido alterado após a divulgação das informações.
CNBB afirma não integrar estruturas partidárias
A discussão ocorre em um momento de forte polarização política no Brasil. Em manifestação recente sobre acusações relacionadas às eleições, a CNBB afirmou que não integra estruturas político-partidárias e que suas manifestações no período eleitoral estão relacionadas à sua missão pastoral e a princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reagiu às declarações do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que afirmou que membros da entidade teriam ajudado o PT a divulgar uma informação falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Em nota oficial, a CNBB negou qualquer participação na produção ou disseminação de desinformações relacionadas ao processo eleitoral e afirmou não integrar estruturas político-partidárias. A entidade ressaltou que suas manifestações eleitorais são baseadas em sua missão pastoral e em princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência. A CNBB considerou a acusação injusta por carecer de provas, e declarou que "a mentira não se combate com outra mentira", reafirmando seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz. Flávio havia classificado o episódio como “a maior fake news da campanha” durante evento em Goiás.",
A própria CNBB vem realizando iniciativas relacionadas às eleições de 2026. Em setembro, por exemplo, a entidade divulgou conteúdos destinados a orientar os católicos sobre desinformação e participação consciente no processo eleitoral.
A existência de manifestações públicas da CNBB sobre democracia, cidadania ou eleições, entretanto, não comprova por si só apoio a uma candidatura específica.
Questão permanece em aberto
A denúncia de Bernardo Küster coloca uma questão objetiva: houve ou não autorização para que um evento político envolvendo organizações partidárias fosse realizado na sede oficial da CNBB?
A CNBB até o encerramento deste artigo não se manifestou sobre o caso em seus canais oficiais.
O episódio, portanto, merece apuração a partir dos registros originais do evento.
Por André Ribeiro


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