Denúncia de Bernardo Küster questiona suposto evento político em sede da CNBB

Uma denúncia divulgada pelo jornalista e comentarista Bernardo Küster nas redes sociais colocou em debate a realização de um evento político que, segundo a publicação, teria inicialmente sido anunciado para a sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Belém do Pará. 

Fonte : primeira imagem Facebook Psol / segunda imagem Bernardo kuster

Por André Ribeiro

Na publicação, Küster questiona a proximidade entre entidades religiosas e organizações políticas durante o período eleitoral. O argumento apresentado é que a realização de um encontro com participação de partidos e grupos políticos dentro da sede oficial da CNBB poderia levantar dúvidas sobre a neutralidade institucional da entidade.


De acordo com a denúncia, a primeira seria um encontro como tema “Grande Plenário contra o Fascismo” e reuniria representantes de setores ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e outras forças políticas alinhadas à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 em Belem do Pará. 

Outra denuncia realizada dia 08/10/2026 é a plenária  'Povo de Deus pela Democracia" com foto do candidato Lula segurando Nossa Senhora de Aparecida nas mãos promovido pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz e Comissão Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) que são organismos vinculados e aprovados pela CNBB. Os colaboradores do post são perfis ligados a Teologia da Libertação

Esses dois casos é um uso abusivo da instrumentalização da fé. 

O ponto central do questionamento apresentado por Küster é a utilização, supostamente anunciada, de uma estrutura institucional da CNBB para um encontro de caráter político-partidário. A denúncia ganhou repercussão depois que, segundo o relato publicado, o  endereço do primeiro evento teria sido alterado após a divulgação das informações.

CNBB afirma não integrar estruturas partidárias


A discussão ocorre em um momento de forte polarização política no Brasil. Em manifestação recente sobre acusações relacionadas às eleições, a CNBB afirmou que não integra estruturas político-partidárias e que suas manifestações no período eleitoral estão relacionadas à sua missão pastoral e a princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência.


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reagiu às declarações do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que afirmou que membros da entidade teriam ajudado o PT a divulgar uma informação falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Em nota oficial, a CNBB negou qualquer participação na produção ou disseminação de desinformações relacionadas ao processo eleitoral e afirmou não integrar estruturas político-partidárias. A entidade ressaltou que suas manifestações eleitorais são baseadas em sua missão pastoral e em princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência. A CNBB considerou a acusação injusta por carecer de provas, e declarou que "a mentira não se combate com outra mentira", reafirmando seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz. Flávio havia classificado o episódio como “a maior fake news da campanha” durante evento em Goiás.",


A própria CNBB vem realizando iniciativas relacionadas às eleições de 2026. Em setembro, por exemplo, a entidade divulgou conteúdos destinados a orientar os católicos sobre desinformação e participação consciente no processo eleitoral.

A existência de manifestações públicas da CNBB sobre democracia, cidadania ou eleições, entretanto, não comprova por si só apoio a uma candidatura específica.

Questão permanece em aberto


A denúncia de Bernardo Küster coloca uma questão objetiva: houve ou não autorização para que um evento político envolvendo organizações partidárias fosse realizado na sede oficial da CNBB?

A CNBB até o encerramento deste artigo não se manifestou sobre o caso em seus canais oficiais. 

O episódio, portanto, merece apuração a partir dos registros originais do evento.

Por André Ribeiro

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