Pontífice defende os valores do Evangelho, condena o ódio e a divisão e pede participação política orientada pelo bem comum
O Papa Leão XIV afirmou que a associação entre posições políticas de extrema direita e determinadas manifestações religiosas não representa uma expressão autêntica do cristianismo. A declaração foi feita em 28 de setembro de 2026, durante uma conversa com jornalistas no voo de retorno a Roma, após uma visita à França.
Ao comentar o crescimento de movimentos de extrema direita na Alemanha, o Santo Padre destacou a necessidade de preservar a identidade cristã diante de ideologias que promovem a divisão e a intolerância. Segundo o pontífice, é importante retornar aos valores fundamentais do Evangelho, que convidam à compreensão, à compaixão e ao acompanhamento das pessoas.
A declaração ocorreu após uma pergunta sobre a possível relação entre o crescimento de grupos políticos extremistas e a diminuição do número de fiéis nas Igrejas cristãs alemãs. O papa considerou importante estudar essa relação e manifestou a intenção de dialogar com lideranças católicas e protestantes do país.
O Evangelho não pode ser instrumento de ódio
Em sua resposta, Leão XIV recordou que a fé cristã não deve ser utilizada para justificar discursos de ódio ou projetos que aprofundem as divisões sociais.
O pontífice ressaltou que os valores do Evangelho apontam para a compreensão, a compaixão e o cuidado com o próximo. Essa perspectiva exige que os cristãos examinem criticamente suas escolhas e verifiquem se elas estão de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo.
A posição do papa não significa que os católicos devam se afastar da política. Pelo contrário, Leão XIV defendeu a participação dos cidadãos na vida pública, desde que orientada pela busca do bem comum e pelo compromisso com a dignidade humana.
Para o Santo Padre, a Igreja tem a missão de anunciar e ensinar os valores que promovem a vida, a fraternidade e a convivência pacífica, rejeitando propostas que conduzam à destruição, ao ódio e à divisão.
A Doutrina Social da Igreja como orientação
A manifestação do pontífice também recorda a importância da Doutrina Social da Igreja, que apresenta princípios para a reflexão cristã sobre a sociedade, a economia e a política.
Entre esses princípios estão a dignidade de cada pessoa, a solidariedade, a participação social e a busca do bem comum. Esses valores orientam os católicos a avaliar propostas políticas não apenas por suas promessas, mas também por suas consequências para os mais vulneráveis e para a convivência entre os povos.
A Igreja não se identifica integralmente com um partido político ou uma ideologia. Sua missão é anunciar o Evangelho e oferecer critérios morais para que os fiéis formem suas consciências e participem responsavelmente da sociedade.
Nesse sentido, a declaração de Leão XIV constitui um convite ao discernimento: a identidade cristã não pode ser reduzida a uma bandeira partidária, mas deve ser reconhecida pelo compromisso concreto com a verdade, a justiça, a misericórdia e a paz.
Fé, política e responsabilidade cristã
O avanço de movimentos nacionalistas e de extrema direita em países europeus tem provocado debates sobre imigração, identidade nacional e o uso da religião no discurso político. Na Alemanha, o crescimento eleitoral do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) tornou essa discussão ainda mais presente.
Ao abordar o tema, o papa não apresentou sua resposta como uma avaliação detalhada de todos os partidos ou de todas as propostas da direita política. Sua crítica concentrou-se na associação entre posições extremistas e determinadas formas de religiosidade que, segundo ele, não expressam autenticamente o cristianismo.
A distinção é importante: defender determinadas posições políticas não é, por si só, o mesmo que aderir ao extremismo. O critério proposto pelo pontífice é a fidelidade aos valores evangélicos e a responsabilidade pelas consequências das escolhas políticas.
Um chamado à coerência com o Evangelho
A mensagem de Leão XIV convida os católicos a refletirem sobre a relação entre fé e vida pública. Em uma sociedade marcada por conflitos ideológicos, a missão dos cristãos não consiste em alimentar hostilidades, mas em testemunhar a verdade com caridade e defender a dignidade de todas as pessoas.
O desafio é participar da política sem transformar adversários em inimigos e sem utilizar o nome de Deus para legitimar a discriminação ou a violência.
Ao recordar que o Evangelho não é uma mensagem de ódio e divisão, o Santo Padre reafirma uma responsabilidade essencial dos discípulos de Cristo: trabalhar pelo bem comum, promover a fraternidade e construir caminhos de diálogo em meio às diferenças.
Fonte: declarações do Papa Leão XIV a jornalistas durante o voo de retorno da França a Roma, em 28 de setembro de 2026, repercutidas por veículos de imprensa internacionais.
Fontes para consulta

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