O bispo de Brejo (MA), José Valdeci Santos Mendes, celebrou missa como parte do evento Grito dos Excluídos no dia 7 de setembro último. Na missa, foi lido o Credo da Juventude das CEBs – X Encontro Continental, que professa a crença em “um Deus/Deusa que está presente nas diferentes experiências das comunidades: um Deus próximo, um Deus libertador e revolucionário, um Deus que é membro das CEBs, que trabalha e luta como Jesus de Nazaré”.
O bispo, que é presidente da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CEPAST-CNBB), apresentou o credo como uma “súplica dos jovens da América Latina que se colocam diante de Deus pedindo que Ele venha ao nosso encontro” e confiou a leitura a dois rapazes.
“Não cremos em uma Igreja estática, patriarcal, clerical e hierárquica”, diz o texto lido pelos rapazes na catedral de Nossa Senhora da Conceição. “Cremos em uma comunidade integradora, inter-geracional, com voz própria. Cremos nesta Igreja em luta, ‘lançando sua sorte com os pobres da terra’, frente a um sistema capitalista dominante”.
“Cremos que somos filhas e filhos de uma Pátria Grande sem racismo, sem normas para amar, incluindo toda a diversidade sexual, mulheres, juventudes, povos originários, negras/os, minorias e todos os de abaixo”.
O credo das Comunidades Eclesiais de Base (CEB) faz parte de uma sugestão para roteiro de celebração para missas, cultos, atos públicos de celebração para o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas, mobilização que reúne pastorais, organismos católicos e movimentos sociais, sempre no dia da Independência do Brasil. A CEPAST convocou dioceses, pastorais e movimentos populares a fortalecerem a mobilização em seus territórios neste ano.
Em mensagem divulgada em junho para as eleições de 2026, a CNBB disse que “a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos”, mas afirmou que a Igreja, “movida pelo Evangelho e pela missão de anunciá-lo, promove a vida, a dignidade humana e serve à construção do bem comum”.
Eleições, Credo das CEBs e preces
No ato penitencial, os participantes da missa pediram perdão “quando não levamos a sério o destino do país nas eleições” e por não denunciar “as candidaturas do poder econômico que irão prejudicar o povo e até impor regimes autoritários”.
As outras partes do ato penitencial tratam das guerras, das pessoas que vivem nas ruas, da especulação imobiliária, dos movimentos por moradia, da violência contra a mulher e do feminicídio.
Na Oração da Comunidade, também foi usada uma intenção sobre as eleições: “Por este tempo de eleições, para que tenhamos discernimento em não votar em quem quer pôr em jogo a soberania do Brasil ou tem plano golpista. Que não votemos em políticos e partidos que querem transformar o bem público em objeto de lucro. Soberania não se negocia”.A resposta da assembleia foi: “Liberta-nos, Senhor, de todas as pessoas que usam a política para trair o povo brasileiro!”.
CEPAST diz que não elaborou roteiro
A assessoria de comunicação da CEPAST disse à ACI Digital que a comissão da CNBB não participou da elaboração do documento. “O Grito dos Excluídos é uma articulação formada por diversas organizações, e a CEPAST não participou da elaboração do roteiro celebrativo”, disse Juce Rocha, da comunicação da comissão.
A Coordenação Nacional do Grito reúne pastorais e organismos católicos e movimentos sociais como Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cáritas Brasileira, Pastoral Operária, Serviço Pastoral dos Migrantes, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Central dos Movimentos Populares (CMP) e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
O mapa nacional do Grito registrou atividades em todas as regiões do país. Em Cachoeiro de Itapemirim (ES), a caminhada reuniu fiéis, pastorais e representantes de movimentos sociais e terminou na catedral de São Pedro; dom Luiz Fernando Lisboa participou da mobilização. Em Santos (SP), o Grito constou da agenda oficial da diocese e teve a participação de dom Joaquim Giovani Mol Guimarães.
O mesmo roteiro não foi adotado em todas as missas ligadas ao Grito. No Santuário Nacional de Aparecida (SP), por exemplo, a missa de 7 de setembro foi celebrada no contexto da 39ª Romaria das Trabalhadoras e Trabalhadores e do 32º Grito dos Excluídos. A missa foi rezada pelo arcebispo de Aparecida, dom Mário Antonio da Silva, e teve entre os concelebrantes o bispo da prelazia do Marajó (PA), dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, presidente da Comissão Pastoral da Terra.
O Grito foi citado durante a missa e na homilia, mas o roteiro usado em Brejo não foi adotado na celebração.
O Grito dos Excluídos
O Grito dos Excluídos surgiu durante a avaliação da 2ª Semana Social Brasileira, promovida pela CNBB em 1993 e 1994, como forma de dar continuidade às reflexões daquele processo. A iniciativa também foi inspirada pela Campanha da Fraternidade de 1995, que teve como tema “Fraternidade e Excluídos” e lema “Eras tu, Senhor?”.
A primeira edição ocorreu em 7 de setembro de 1995, em 170 localidades. Em 1996, o Grito foi assumido pela CNBB em sua Assembleia Geral como parte do Projeto Rumo ao Novo Milênio.
Hoje, a mobilização tem uma Coordenação Nacional formada pela Comissão 8 da CNBB, pastorais e organismos católicos e movimentos e entidades sociais, entre eles CPT, Cáritas Brasileira, Pastoral Operária, Serviço Pastoral dos Migrantes, CEBs, MST, MAB, CMP e CNTE.
O próprio Grito diz que a escolha do 7 de setembro pretende fazer um “contraponto” à comemoração oficial da Independência. Segundo a organização, a data tornou-se também um momento de “consciência política” e de luta por uma “nova ordem nacional e mundial”.
Com o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”, em 2026 o lema é “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!” Entre as pautas nacionais estão o fim da escala 6x1, moradia digna, reforma agrária, educação pública de qualidade, defesa do SUS e o enfrentamento ao feminicídio, ao racismo e à LGBTfobia.
O site do Grito diz que a escolha do 7 de setembro busca fazer um “contraponto à história oficial da independência do Brasil. Na contramão dos desfiles cívicos e militares, que sempre marcaram o 7 de Setembro, conclama o povo, sobretudo os pobres e excluídos, a descerem das arquibancadas, deixar o patriotismo passivo, e ocupar praças e ruas na defesa de seus direitos”.
Fonte https://www.acidigital.com/
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