Bispos criticam manifestação do presidente sobre celibato e ordenação de mulheres e defendem autonomia da Igreja
Por André RIbeiro
As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres na Igreja Católica provocaram manifestações de bispos brasileiros neste sábado (19). Entre os religiosos que se pronunciaram estão Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo da Diocese de Piracicaba (SP), e Dom Adair José Guimarães, bispo da Diocese de Formosa (GO).
Lula havia afirmado, durante encontro com lideranças evangélicas no Palácio do Planalto, que a Igreja Católica enfrentaria dificuldades enquanto mantivesse o celibato e não permitisse que mulheres fossem ordenadas padres e bispos. O presidente também associou o crescimento das igrejas evangélicas ao maior espaço dado às mulheres nessas comunidades.
Dom Devair questiona interferência política
Em resposta, Dom Devair contestou a manifestação presidencial e afirmou que questões relacionadas à organização e à doutrina da Igreja não deveriam ser determinadas por autoridades políticas.
“Estamos vendo políticos que tentam dizer o que a Igreja precisa fazer. Falam até de celibato, quando deviam cuidar do país”, afirmou o bispo durante uma celebração. Na sequência, Dom Devair defendeu a preservação da identidade da Igreja e declarou: “Na Igreja de Cristo, o diabo não põe a pata”
Durante a manifestação, o bispo também fez referência ao período eleitoral. Ele pediu aos fiéis que exerçam o direito de voto e tenham consciência das consequências de suas escolhas nas urnas. Segundo Dom Devair, os cristãos não deveriam deixar de participar das eleições mesmo quando estivessem desanimados com a política.
Dom Adair defende autonomia da Igreja
Também no sábado, Dom Adair José Guimarães publicou um vídeo no qual comentou as declarações do presidente. O bispo de Formosa afirmou que a Igreja Católica possui uma tradição própria e que suas normas e ensinamentos não devem ser determinados pelo chefe do Poder Executivo.
“Essa declaração do presidente Lula não me assusta”, declarou Dom Adair. Em seguida, afirmou que “o mandatário da nação precisa cuidar da nação, não dar pitacos sobre a Igreja”.
O bispo também ressaltou que a Igreja Católica é uma instituição de longa tradição, fundamentada, segundo sua própria compreensão religiosa, no magistério, na Sagrada Escritura e em sua tradição.
Durante o vídeo, gravado enquanto estava em Roma, Dom Adair ainda recuperou uma declaração atribuída ao cardeal Eusébio Oscar Scheid em 2005, quando Lula havia se identificado como católico. Dom Adair disse concordar com a caracterização feita na época pelo cardeal.
Reações no meio católico
As manifestações dos dois bispos ocorreram em meio a uma reação mais ampla de representantes católicos às declarações presidenciais. Na sexta-feira (18), a Frente Parlamentar Católica da Câmara dos Deputados divulgou uma nota defendendo o respeito à autonomia das comunidades religiosas para estabelecer sua doutrina, disciplina e organização.
O episódio colocou novamente em debate os limites entre a manifestação de autoridades políticas sobre temas religiosos e a autonomia das instituições de fé. As declarações de Dom Devair e Dom Adair, embora feitas de maneira independente, convergiram na defesa da autonomia da Igreja Católica para tratar de questões internas relacionadas à sua doutrina e disciplina.
As falas ocorreram durante o período eleitoral de 2026, contexto em que manifestações de lideranças religiosas sobre participação política e voto ganharam maior visibilidade.
Fontes
Poder360 — “Líderes religiosos criticam fala de Lula sobre Igreja Católica”
Publicada em 19/09/2026.Revista Oeste — “Bispos contestam Lula depois de presidente pedir fim do celibato”
Publicada em 19/09/2026.

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